26 DE SETEMBRO 2008 (Sexta-feira)
Véspera da partida em direção ao rio Kuluene. Pela manhã, tomamos algumas providências. Abastecemos o caminhão,
enchemos 34 galões
de gasolina, com 27 litros cada, totalizando cerca de 900 litros. Tivemos que
retirar os quatro barcos de cima do caminhão para acomodar esses galões na
carroceria.
Depois dessa batalha, fomos à casa de
Kanikô, índio Suyá, que mora em Canarana, pois soubemos que havia estado no
hotel à procura do Sérgio. Esse índio era garoto quando o Sérgio foi sozinho
na aldeia deles, em 1959.
Ao encontrarmos com ele, Kanikô contou a história do tiro que o Sérgio deu e do gesto que o Cuiuci fez ao botar a mão no coração dele, para saber se ele estava com medo. Confirmou também que os índios tremiam muito. Na verdade, eles estavam com medo daquele caraíba que chegou lá na aldeia à noite e completamente nu. Só podia ser um grande feiticeiro.
À noite, fomos em
comitiva à casa de Piracumã, que nos aconselhou a colocar os barcos no rio
Kuluene na altura da aldeia dos Kuikuros, já que o rio se encontrava muito
baixo, o que poderia nos causar problemas na navegação em função de existência
de muitas pedras naquela região do rio.
Neste dia, o Rogério Marques, da TV Globo, telefonou informando que a emissora havia se interessado pela matéria e que tinha contratado a TVCA (TV Centro América, de Cuiabá) para fazer a cobertura da expedição. Conversei com a Monicka Mariahl, produtora da TVCA, e combinamos que quando chegássemos em São José do Xingu falaria com ela para fixar a data em que a equipe deveria chegar naquela cidade.
Inicialmente, fixamos a data de 13 de outubro, depois modificamos para 19, em função de atrasos naturais nesse tipo de trabalho. A chegada do marco prevista para o dia 17, e a de Adrian Cowell, para o dia 20 de outubro.